HISTÓRIA DA IGREJA MEDIEVAL
Disciplina: História da Igreja II (Medieval) Carga Horária: 60 horas/aula Período Abrangido: Da Queda de Roma (476 d.C.) ao início da Reforma (1517 d.C.).
INTRODUÇÃO: A IGREJA COMO ESTADO
Com a queda do Império Romano do Ocidente, a única instituição organizada que restou na Europa foi a Igreja. O Bispo de Roma (Papa) preencheu o vácuo de poder deixado pelos Césares. A Igreja Medieval tornou-se a "tutora" da civilização ocidental.
Dividimos este período em três fases:
Alta Idade Média (500-1000): Ascensão do Papado, conversão dos Bárbaros e surgimento do Islã.
Baixa Idade Média (1000-1300): O auge do poder papal, as Cruzadas e a Escolástica.
Declínio (1300-1517): Cisma papal, corrupção e os Pré-Reformadores.
UNIDADE 1: A FORMAÇÃO DA CRISTANDADE (590-800)
1.1. Gregório Magno: O Primeiro Papa Medieval
Embora houvesse bispos em Roma antes, Gregório I (o Grande) é considerado o pai do papado medieval.
Ele centralizou a liturgia (Canto Gregoriano).
Estabeleceu a doutrina do Purgatório como oficial.
Enviou missionários para converter os anglo-saxões (Inglaterra).
1.2. A Ascensão do Islã
No século VII, Maomé funda o Islã na Arábia. Em 100 anos, os muçulmanos conquistaram a Terra Santa, o Norte da África e a Espanha.
Impacto na Igreja: O Cristianismo perdeu seus antigos centros (Jerusalém, Alexandria, Cartago) e ficou confinado à Europa.
1.3. A Aliança com os Francos (Carlos Magno)
A Igreja precisava de proteção militar. O Papa coroou Carlos Magno como "Imperador do Sacro Império Romano" no ano 800 d.C.
Isso uniu Igreja e Estado: O Papa dava autoridade divina ao Rei; o Rei dava proteção e terras à Igreja.
UNIDADE 2: O GRANDE CISMA E AS CRUZADAS (1054-1291)
2.1. O Grande Cisma do Oriente (1054)
A Igreja se dividiu permanentemente em duas:
Igreja Católica Romana (Oeste): Língua latina, liderada pelo Papa, sacerdotes celibatários.
Igreja Ortodoxa Grega (Leste): Língua grega, liderada por Patriarcas, sacerdotes podem casar, ênfase em ícones.
Causa: Disputas sobre a autoridade do Papa e a cláusula Filioque (se o Espírito Santo procede só do Pai ou do Pai "e do Filho").
2.2. As Cruzadas
Foram expedições militares convocadas pelos Papas para libertar a Terra Santa (Jerusalém) do domínio muçulmano.
Motivação: Fé, perdão dos pecados (indulgências) e aventura.
Resultado: Militarmente falharam (Jerusalém foi retomada pelos muçulmanos). Porém, reabriram o comércio com o Oriente e trouxeram conhecimentos perdidos para a Europa.
Mancha Histórica: Massacres de judeus e muçulmanos em nome de Cristo.
UNIDADE 3: O AUGE DO PODER E A ESCOLÁSTICA
3.1. Inocêncio III: O Ápice do Papado
Sob este papa, a Igreja atingiu o poder máximo. Ele afirmou que o Papa era como o "Sol" e os Reis eram como a "Lua" (só brilhavam refletindo a luz do Papa). Ele usava a Interdito (proibia a realização de cultos em um país inteiro) para dobrar reis rebeldes.
3.2. A Escolástica (Fé e Razão)
Foi o método de teologia ensinado nas novas Universidades. Tentava provar a fé cristã através da lógica e da filosofia de Aristóteles.
Tomás de Aquino: O maior teólogo medieval. Sua obra Suma Teológica é a base da teologia católica até hoje. Ele dizia que a graça não destrói a natureza, mas a aperfeiçoa.
3.3. As Ordens Mendicantes
Enquanto a igreja oficial era rica e corrupta, surgiram monges que viviam na pobreza total para pregar ao povo:
Franciscanos (São Francisco de Assis): Foco na pobreza e simplicidade.
Dominicanos (São Domingos): Foco no estudo e na pregação contra heresias.
UNIDADE 4: O DECLÍNIO E OS PRÉ-REFORMADORES
A "Idade das Trevas" moral da igreja preparou o caminho para a Reforma.
4.1. O Cativeiro Babilônico da Igreja (Avignon)
Por 70 anos, os Papas abandonaram Roma e moraram na França (Avignon), servindo aos interesses do rei francês. Isso destruiu a credibilidade espiritual do papado.
4.2. O Grande Cisma do Ocidente
Chegou a haver três papas ao mesmo tempo (um em Roma, um na França, um em Pisa), cada um excomungando o outro. O povo não sabia quem era o verdadeiro vigário de Cristo.
4.3. Os Pré-Reformadores: A "Estrela da Manhã"
Homens que pregaram as verdades da Reforma 100 anos antes de Lutero:
John Wycliffe (Inglaterra):
Disse que a autoridade da Bíblia é maior que a do Papa.
Traduziu a Bíblia para o Inglês.
Negou a transubstanciação.
Jan Hus (Boêmia/Rep. Tcheca):
Discípulo das ideias de Wycliffe.
Pregou contra as indulgências e a corrupção do clero.
Foi queimado vivo na fogueira em 1415, cantando hinos. Disse ao morrer: "Hoje vocês assam um ganso (Hus), mas virá um cisne (Lutero) que vocês não poderão calar."
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
1. Qual foi o papel de Carlos Magno na relação entre Igreja e Estado na Idade Média?
2. Explique a diferença entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa Grega após o Cisma de 1054.
3. O que foi a "Escolástica" e quem foi seu principal representante?
4. Por que John Wycliffe e Jan Hus são chamados de "Pré-Reformadores"? O que eles defenderam?
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
GONZÁLEZ, Justo. A Era das Trevas / A Era dos Altos Ideais (História Ilustrada). Editora Vida Nova.
NOLL, Mark. Momentos Decisivos na História do Cristianismo. Editora Cultura Cristã.
SHELLEY, Bruce. História do Cristianismo ao Alcance de Todos. Editora Shedd.
AQUINO, Tomás de. Súmula contra os Gentios. (Para quem quer conhecer a escolástica).