APOSTILA DE ESTUDOS: HISTÓRIA DA FILOSOFIA II
Disciplina: História da Filosofia II Período: Da Filosofia Medieval à Filosofia Moderna (Séc. V ao Séc. XVIII) Foco: Patrística, Escolástica, Racionalismo, Empirismo e o Iluminismo.
Esta é a apostila para a disciplina de História da Filosofia II.
Nesta etapa, estudaremos o longo período que vai da consolidação do pensamento cristão na Idade Média até a "revolução" da Razão na Modernidade. É o momento em que a filosofia deixa de ser apenas a "serva da teologia" (ancilla theologiae) para buscar sua total autonomia, mudando permanentemente a forma como o ser humano entende Deus, o mundo e a si mesmo.
UNIDADE 1: A SÍNTESE MEDIEVAL (Fé e Razão)
Na Idade Média, a filosofia foi utilizada para organizar, sistematizar e defender os dogmas da Igreja.
1.1. Santo Agostinho: O Platão Cristão
Agostinho adaptou o platonismo para o cristianismo.
Teoria da Iluminação: Para conhecer a verdade, o homem precisa de uma luz divina, pois a mente humana é limitada pelo pecado.
Relação: "Creio para que possa entender". A fé precede a razão.
1.2. Tomás de Aquino: O Aristóteles Cristão
Com a redescoberta de Aristóteles, Aquino criou a maior síntese teológico-filosófica da história.
Cinco Vias: Demonstrações lógicas da existência de Deus a partir do efeito (o mundo) para a causa (Deus).
Autonomia Relativa: A razão pode chegar a certas verdades (como a existência de Deus), mas outras (como a Trindade) só são acessíveis pela fé (revelação).
UNIDADE 2: O NASCIMENTO DA MODERNIDADE
A partir do Renascimento, o foco mudou da Teocentrismmo (Deus no centro) para o Antropocentrismo (Homem no centro). A dúvida tornou-se a ferramenta principal do conhecimento.
2.1. René Descartes: O Racionalismo
Pai da filosofia moderna. Ele queria uma base inabalável para o conhecimento.
Dúvida Metódica: Duvidou de tudo (sentidos, realidade, sonhos) até chegar a algo indubitável.
Cogito, ergo sum: "Penso, logo existo". A certeza da existência vem do pensamento consciente.
Impacto: Deus passa a ser provado a partir da ideia de perfeição que o "Eu" possui, e não mais apenas pela autoridade da Bíblia.
UNIDADE 3: O EMPIRISMO BRITÂNICO
Enquanto os franceses focavam na razão (ideias inatas), os britânicos focavam na experiência.
3.1. John Locke e a Tabula Rasa
Negava que nascêssemos com ideias prontas. A mente é uma "folha em branco" que vai sendo preenchida pelas experiências sensoriais (visão, tato, etc.).
3.2. David Hume e o Ceticismo
Questionou a ideia de causa e efeito. Nós não vemos a "causalidade", apenas vemos um evento após o outro.
Impacto Teológico: Hume atacou os milagres e os argumentos clássicos para a existência de Deus, despertando Kant de seu "sono dogmático".
UNIDADE 4: A SÍNTESE KANTIANA E O ILUMINISMO
Immanuel Kant tentou unir o racionalismo e o empirismo, mudando para sempre a epistemologia (estudo do conhecimento).
4.1. Immanuel Kant: O Criticismo
O homem não conhece a "coisa em si" (nôumeno), mas apenas como a coisa aparece para nós (fenômeno), filtrada pelas categorias da nossa mente (espaço e tempo).
Impacto Teológico: Kant demonstrou que a razão pura não pode provar nem negar Deus. Deus torna-se uma "postulado da razão prática" (necessário para a ética/moral).
4.2. O Iluminismo e a Autonomia
O lema de Kant era Sapere Aude (Ouse saber). A humanidade deveria sair da sua "menoridade" e não depender mais de tutores (como a Igreja ou o Rei) para pensar.
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
1. Qual a principal diferença entre Agostinho e Tomás de Aquino quanto ao uso da filosofia grega?
2. Por que a frase "Penso, logo existo" de Descartes é considerada o marco inicial da filosofia moderna?
3. Explique a diferença entre Racionalismo e Empirismo.
4. Como a filosofia de Kant limitou a capacidade da teologia de usar "provas lógicas" para a existência de Deus?
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da Filosofia (Vol. 2 e 3).
MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia.
SPROUL, R.C. Filosofia para Iniciantes. (Foco teológico excelente).
KENNY, Anthony. Uma Nova História da Filosofia Ocidental.