CURSO DE CAPELANIA 202 - APOSTILAS

 

APOSTILA MÓDULO I

Introdução, História e Fundamentos Bíblicos da Capelania (8h)

1. Conteúdo Teórico

O Significado de Ministrar aos Enfermos O ministério da capelania encontra a sua raiz no exemplo do próprio Cristo, que via a cura física e o amparo espiritual como um ministério integral (Mateus 9:9-13). Hospitais, presídios e escolas não são apenas instituições seculares; são campos brancos para a colheita, repletos de "multidões cansadas e oprimidas". Evangelizar nestes contextos ganha um significado prático: trazer "boas novas" para uma situação real de dor. A agenda da visitação deve ser ditada pelas emoções do assistido, refletindo o sentido da Encarnação – Deus connosco no sofrimento.

Raízes Históricas e Exemplos O termo "capelão" remonta a Martinho de Tours, que no século IV dividiu a sua capa para aquecer um necessitado. Na perspetiva evangélica, grandes avivalistas compreenderam que a pregação precisa de ser acompanhada do serviço prático. Charles Spurgeon mantinha orfanatos e encorajava o cuidado pastoral contínuo; John Stott enfatizava a escuta cristã no mundo contemporâneo; e Billy Graham, nas suas cruzadas, sempre mantinha equipas de conselheiros para o acolhimento imediato e direcionado. A capelania é o amor em movimento.

1. A Essência da Capelania A capelania não é uma invenção moderna, mas a extensão do próprio ministério de Jesus Cristo. É o "Ministério da Presença". Ser capelão é encarnar o amor de Deus em ambientes de dor, crise e vulnerabilidade. O fundamento inabalável encontra-se em Mateus 25:36: "Estive nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me".

2. Perspetiva Histórica e Teológica Historicamente, a figura do capelão remonta a Martinho de Tours (século IV), que dividiu a sua capa (cappa) com um mendigo. No entanto, na perspetiva evangélica, a capelania é o resgate do sacerdócio universal dos crentes. Grandes expoentes da fé compreenderam esta urgência. Como bem pontuava Charles Spurgeon, a compaixão não pode ser apenas pregada, ela deve ser demonstrada na fornalha da aflição humana. O sofrimento é frequentemente o megafone de Deus, e o capelão é o instrumento de graça posicionado ao lado dessa dor.

3. O Sentido Voluntário e Missional O chamado para a capelania é missional. O hospital, o presídio e a escola são campos missionários onde a semente do Evangelho é plantada não através de discursos proselitistas, mas através de lágrimas partilhadas, ouvidos atentos e mãos que servem.

A Teologia da Presença e o Sentido do Sofrimento

1. Fundamentação Bíblica e Teológica A capelania é o reflexo do "Deus Emanuel" (Deus connosco). O profeta Isaías descreve o Messias como o "Homem de dores, e experimentado nos sofrimentos" (Isaías 53:3). A assistência espiritual não é a promessa da isenção da dor, mas a garantia da presença divina no vale da sombra da morte (Salmo 23:4).

  • Dietrich Bonhoeffer, teólogo alemão que exerceu ministério prisional enquanto estava cativo pelo regime nazista, afirmava em O Custo do Discipulado: "A Igreja só é a Igreja quando existe para os outros". O capelão é a Igreja existindo para o outro na sua vulnerabilidade máxima.

  • John Stott complementa esta visão com o princípio da "Encarnação": "Não podemos evangelizar genuinamente de cima para baixo; devemos assumir a condição daqueles a quem servimos, sentando-nos onde eles se sentam".

2. Fundamentação Psicológica: A Logoterapia e o Sentido No leito hospitalar ou na cela de um presídio, a crise existencial é inevitável. Aqui, a teologia encontra eco na Logoterapia, desenvolvida pelo psiquiatra austríaco Viktor Frankl. Sobrevivente de Auschwitz, Frankl em Em Busca de Sentido postula que a maior força motivadora do ser humano não é a busca pelo prazer (Freud) nem pelo poder (Adler), mas a busca por sentido.

  • A Práxis do Capelão: O capelão não dá respostas prontas ao doente, mas ajuda-o a encontrar o "sentido" na sua dor através da fé. O sofrimento deixa de ser desespero quando adquire um significado transcendente (ex: aproximação de Deus, reconciliação familiar).

2. Exercícios de Fixação

Questão 1: Segundo a perspetiva bíblica (Mateus 9:9-13), como Jesus enxergava o ministério aos enfermos? 

a) Como uma punição divina que deveria ser ignorada. 

b) Como um ministério integral, que une compaixão e salvação. 

c) Como uma oportunidade exclusiva para debates teológicos. 

d) Como algo secundário à pregação no templo.

Questão 2: O que significa, no contexto da capelania, que o evangelho deve ser "boas novas para uma situação real"? (Responda em até 3 linhas).

3. Prática Recomendada

Diário de Reflexão: Leia Mateus 25:31-46. Escreva um texto de uma página relatando como a sua congregação local tem praticado (ou pode começar a praticar) o princípio de "estive enfermo e visitastes-me". Guarde este texto no seu portefólio do aluno.


APOSTILA MÓDULO II

Legislação Nacional e Código de Ética (8h)

1. Conteúdo Teórico

A Base Legal da Capelania no Brasil O acesso do capelão a instituições de internação não é um "favor" do Estado, mas um direito garantido ao cidadão internado.

  • Constituição Federal (Art. 5º, VII): Assegura a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva.

  • Lei Federal nº 9.982/2000: Regulamenta este acesso aos hospitais da rede pública e privada, bem como aos estabelecimentos prisionais. A lei exige que o religioso acate as determinações legais e normas internas de cada instituição (higiene, segurança e horários).

O Código de Ética do Capelão Evangélico A atuação da Sociedade Brasileira de Capelania baseia-se em princípios éticos inegociáveis:

  • Respeito Universal: Não ferir a sensibilidade de ateus, agnósticos ou comungantes de outras religiões. Não tentar impor convicções pessoais.

  • Apoio vs. Catequese: Em tempos de crise, a pessoa precisa de mais apoio e consolação do que de catequização forçada.

  • Sigilo Pastoral: Tudo o que é partilhado no nível de confissão deve ser mantido em absoluto sigilo, exceto quando houver risco de morte para o paciente ou para terceiros.

A Fronteira entre o Cuidado e a Invasão

1. Fundamentação Bíblica e Teológica A submissão do capelão às regras hospitalares e prisionais (Lei 9.982/2000) possui profundo embasamento em Romanos 13:1 ("Toda a alma esteja sujeita às autoridades superiores").

  • Martinho Lutero, na sua doutrina dos "Dois Reinos", ensina que o cristão vive simultaneamente no reino espiritual (regido pelo Evangelho e pelo amor) e no reino secular (regido pela lei e pela ordem). O capelão atua no reino espiritual, mas deve submissão rigorosa à ordem do reino secular (normas do hospital/presídio) para que o seu testemunho seja irrepreensível (1 Pedro 2:13-17).

2. Fundamentação Psicológica: O "Setting" e o Holding O Código de Ética do capelão exige o sigilo, a não imposição de crenças e a delimitação do espaço de atuação.

  • Na psicanálise, Donald Winnicott introduziu o conceito de Holding (ambiente de sustentação). Para que um indivíduo possa expressar as suas angústias profundas, o cuidador precisa de criar um "ambiente seguro". A ética do capelão (não julgar, não quebrar sigilo) é o que cria este holding espiritual.

  • Sigmund Freud, ao estabelecer as regras do setting terapêutico (horários rígidos, neutralidade), mostrou que limites claros protegem tanto o paciente quanto o analista. O capelão respeita os horários de visita e não interfere nas condutas médicas exatamente para preservar este "setting" seguro da assistência espiritual.

2. Exercícios de Fixação

Questão 1: Se um enfermeiro-chefe solicitar que o capelão se retire do quarto porque chegou o horário do banho do paciente, o que o capelão deve fazer? 

a) Recusar-se a sair, invocando a Lei 9.982/2000. 

b) Sair imediatamente, respeitando as normas internas da instituição. 

c) Pedir para dar o banho no paciente, como ato de serviço. 

d) Ficar no canto do quarto orando em voz baixa.

3. Prática Recomendada

Simulação de Resposta: Escreva um pequeno guião de diálogo sobre como abordaria a receção de um hospital na sua primeira visita institucional, apresentando a sua credencial da SBC e referindo o seu direito de acesso de forma educada e pacífica.


APOSTILA MÓDULO III

Aconselhamento Pastoral, Escuta Ativa e Níveis de Relacionamento (12h)

1. Conteúdo Teórico

A Arte de Escutar O maior erro no aconselhamento é tentar "consertar" o paciente com respostas teológicas prontas. John Stott frequentemente lembrava que a verdadeira comunicação cristã exige que primeiro construamos pontes de escuta e empatia. A escuta ativa significa ouvir com os ouvidos, observar com os olhos (linguagem não verbal) e acolher com o coração. A escuta é o principal "bisturi" do capelão. É necessário escutar com os olhos (linguagem não verbal), avaliar as próprias emoções para não projetar angústias no doente, e evitar extremos como a agressividade argumentativa ou a passividade silenciosa.

Os 5 Níveis de Relacionamento

  1. Amizade: Apresentações e assuntos genéricos.

  2. Conforto: O paciente partilha a sua dor; o capelão ouve e conforta.

  3. Confissão: Foco nos sentimentos de culpa e na necessidade de perdão (II Cor. 5:18-20).

  4. Ensino: Esclarecimento de dúvidas quando solicitado pelo enfermo.

  5. Aconselhamento/Encaminhamento: Tratamento de questões complexas e a sabedoria de encaminhar para psicólogos ou médicos quando o limite pastoral é atingido. Assim como Billy Graham sempre se cercava de conselheiros treinados para encaminhar as necessidades específicas das pessoas após as cruzadas, o capelão atua em rede. Foco em problemas complexos e reconhecimento dos limites, reencaminhando para médicos, psicólogos ou pastores titulares quando necessário.

O Curador Ferido e a Empatia Incondicional

1. Fundamentação Bíblica e Teológica O manual supremo da Escuta Ativa é Tiago 1:19: "Todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar". O pior exemplo de aconselhamento encontra-se nos amigos de Jó, que falharam miseravelmente quando tentaram explicar teologicamente a dor dele, mas acertaram quando "se assentaram com ele na terra sete dias e sete noites... e nenhum lhe dizia palavra alguma, porque viam que a dor era muito grande" (Jó 2:13).

  • Henri Nouwen, no seu magistral livro O Curador Ferido, defende que o ministro cristão só consegue curar porque reconhece as suas próprias feridas. Não nos aproximamos do doente como "super-homens" espirituais, mas como mendigos a mostrar a outro mendigo onde encontrar o Pão da Vida.

2. Fundamentação Psicológica: A Abordagem Centrada na Pessoa A base secular da "Escuta Ativa" ensinada neste módulo deriva dos trabalhos de Carl Rogers, criador da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP). Rogers definiu três atitudes fundamentais que o capelão deve dominar:

  1. Consideração Positiva Incondicional: Aceitar a pessoa exatamente como ela é, sem julgamentos prévios (seja ela um presidiário ou um paciente terminal ateu).

  2. Empatia: A capacidade de "calçar os sapatos do outro", compreendendo o seu quadro de referência interno.

  3. Congruência (Autenticidade): Ser transparente e genuíno; se o capelão se emocionar com a dor, não deve mascarar isso com falsas espiritualidades.

2. Exercícios de Fixação

Associe a coluna (Nível de Relacionamento) com a frase dita pelo paciente:

  1. Amizade

  2. Conforto

  3. Confissão

( ) "Capelão, eu traí a minha esposa antes de adoecer e sinto que Deus me está a castigar. Preciso de perdão." ( ) "Boa tarde. O trânsito hoje estava terrível, não acha?" ( ) "Sinto muito medo de não acordar desta cirurgia amanhã."

(Gabarito: 3, 1, 2)

3. Prática Recomendada

Exercício do Silêncio Ativo: Converse com um familiar ou amigo sobre um problema que ele esteja a enfrentar. O seu único objetivo é ouvir durante 10 minutos seguidos, dizendo apenas frases que reflitam a emoção dele (ex: "Parece que te sentiste muito triste com isso"), sem oferecer nenhum conselho, versículo ou solução. Registe como se sentiu ao reter a vontade de resolver o problema.


APOSTILA MÓDULO IV

Biossegurança, Normas Hospitalares, Prisionais e Escolares (12h)

1. Conteúdo Teórico

Normas e Biossegurança Hospitalar No hospital, a "decência e ordem" previnem infeções e salvam vidas.

  • Não invadir a privacidade. Bata sempre à porta.

  • Não se sente na cama do paciente nem esbarre em equipamentos.

  • Não ofereça água ou comida sob nenhuma circunstância; chame a equipa de enfermagem.

  • Fale num tom de voz normal. Evite gritar, mesmo durante orações.

Capelania Prisional e Escolar

  • No Presídio: Evitar qualquer intimidade e nunca fazer promessas que não dependam de si (ex: prometer falar com um juiz). Não atuar como intermediário para levar bilhetes ou objetos.

  • Na Escola: Foco na prevenção. Identificar sinais de isolamento, encaminhar suspeitas de violência doméstica e oferecer uma "relação regular de ajuda" (aconselhamento).

A Santidade do Corpo e a Hierarquia das Necessidades

1. Fundamentação Bíblica e Teológica A biossegurança não é falta de fé, é sabedoria. O próprio Deus estabeleceu rigorosas leis de isolamento sanitário e higiene ao povo de Israel no deserto (Levítico 13 e 14), mostrando que o cuidado com o corpo e a prevenção do contágio são mandamentos divinos. "Tudo, porém, seja feito com decência e ordem" (1 Coríntios 14:40).

  • O grande pregador Charles Spurgeon enfrentou epidemias de cólera em Londres. Ele não apenas pregava a salvação, mas orientava a sua congregação sobre o dever cristão de cuidar da saúde pública, visitando os enfermos com as devidas precauções, entendendo que a negligência sanitária era um pecado contra o próximo.

  • Pirâmide de Necessidades de Maslow, gerada com IA
    Shutterstock

2. Fundamentação Psicológica: A Pirâmide de Maslow Para compreender as regras de um hospital e por que o capelão não deve interromper o horário das refeições ou do banho do paciente, recorremos ao psicólogo Abraham Maslow e à sua "Hierarquia das Necessidades".

  • Maslow postula que as necessidades fisiológicas básicas (respiração, alimentação, sono, alívio da dor) e a necessidade de segurança precisam de ser supridas antes que o indivíduo tenha capacidade cognitiva e emocional para focar nas necessidades superiores (realização, transcendência, espiritualidade).

  • Prática: Se o paciente está com dores agudas ou fome, não é o momento para o ensino teológico (Nível 4 do relacionamento). A prioridade é chamar a enfermagem (alívio fisiológico), para que, posteriormente, a semente da Palavra encontre um solo preparad

2. Exercícios de Fixação

Questão 1: Ao entrar no quarto, o capelão nota que a luz indicadora da campainha sobre a porta está acesa. Qual é a conduta correta? 

a) Entrar rapidamente para consolar o doente antes que a enfermeira chegue. 

b) Aguardar no corredor até que o doente seja atendido pelos profissionais de saúde. 

c) Entrar e ajudar o doente com a sua necessidade física. 

d) Desligar a luz para não incomodar os outros pacientes.

3. Prática Recomendada

Elaboração de Checklist: Crie um "Checklist de Bolso" pessoal com 10 coisas que um capelão deve verificar antes de sair de casa para uma visitação (ex: credencial da SBC no pescoço, unhas curtas, ausência de perfumes fortes, Bíblia higienizada, etc.).


APOSTILA MÓDULO V

Prática Simulada e Estudo de Casos (8h)

1. Conteúdo Teórico

Lidando com Situações Específicas

  • O Recém-chegado: Geralmente assustado, o foco é a amizade e o conforto inicial.

  • Véspera de Cirurgia: Ansiedade alta. Focar em transmitir paz (Salmo 23).

  • O Paciente Terminal: Qualquer um de nós pode morrer a qualquer momento. Como o capelão convive com esta realidade? O foco é ajudar a pessoa a perdoar, a ser perdoada e a aceitar o momento final com esperança celestial. Não crie falsas esperanças de cura física se o quadro é clinicamente irreversível.

  • Possessão vs. Saúde Mental: Caso desconfie que os problemas do paciente não são apenas clínicos, não aja precipitadamente. Não faça rituais de libertação no leito hospitalar. A assistência deve seguir os limites da instituição.

2. Estudo de Caso (Exercício Avaliativo)

Cenário: Você chega à enfermaria infantil (Pediatria) e encontra uma mãe nervosa e esgotada. O seu filho de 5 anos chora de dor. Ela olha para si e diz: "Se Deus é bom, porque está a deixar o meu filho sofrer assim?". Tarefa: Redija um parágrafo explicando a sua resposta imediata a esta mãe. Lembre-se do princípio de "evitar catequizar em momentos de crise", focando no acolhimento.

O Luto, a Graça e a Consolação

1. Fundamentação Bíblica e Teológica A prática do consolo baseia-se em 2 Coríntios 1:3-4: "O Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação".

  • Nos momentos de crise extrema ou luto, o capelão deve lembrar-se do exemplo prático de Billy Graham, que atuou em desastres em massa e nas visitas a presidentes americanos em tempos de guerra. A sua abordagem era de poucas palavras, centrada na garantia da graça imerecida e na promessa de que "nós não sabemos o que o futuro nos reserva, mas sabemos quem tem o futuro nas Suas mãos".

2. Fundamentação Psicológica: Os Estágios do Luto No aconselhamento a pacientes terminais ou a familiares na UTI, o conhecimento do trabalho da psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross (autora de Sobre a Morte e o Morrer) é obrigatório para qualquer capelão de excelência. Ela mapeou os 5 estágios que o assistido irá atravessar:

  1. Negação: "Os exames devem estar errados". O capelão não confronta, apenas acompanha.

  2. Raiva: Revolta contra Deus, os médicos ou a família. O capelão é o "para-raios" desta dor e não se deve ofender pessoalmente.

  3. Barganha: "Se Deus me curar, eu dou tudo aos pobres".

  4. Depressão: Tristeza profunda pela perda iminente. O capelão oferece o silêncio compassivo e o consolo do Espírito Santo.

  5. Aceitação: Paz em relação ao fim. O capelão auxilia no pedido de perdão e na certeza da salvação cristã, preparando a alma para a eternidade.

Prática Simulada e Estudo de Casos (8h)

1. O Laboratório do Capelão A teoria prepara a mente, mas a prática molda o coração. Este módulo é dedicado à aplicação prática através de estudos de caso.

Estudo de Caso 1: A Dor do Luto Inesperado Cenário: Encontra uma mãe na sala de espera que acaba de perder o filho adolescente num acidente. Ação do Capelão: Evitar o "foi a vontade de Deus" neste primeiro impacto. O silêncio acompanhado, o abraço (se permitido) e o choro partilhado são a teologia mais profunda neste momento.

Estudo de Caso 2: O Paciente Terminal Cenário: Um paciente oncológico em cuidados paliativos revela ter muito medo da morte e culpa por não ter perdoado o irmão. Ação do Capelão: Aplicar o nível de "Confissão". Ler Salmo 23, conduzir uma oração de entrega e perdão, ajudando o paciente a fechar o seu ciclo terreno com dignidade e esperança na eternidade.

2. O Juramento e a Prática A prática simulada encerra-se com a preparação para o campo de estágio supervisionado. O aluno deve preencher os Relatórios de Visitação e submetê-los à coordenação da ATEK/SBC, compreendendo que a sua credencial é um instrumento de paz, serviço e amor prático.

Conclusão

O capelão reconhece suas limitações. Ele não é um "super-homem", mas um canal da graça (II Coríntios 12:9). O objetivo primário é conduzir o assistido a um estágio superior de paz físico-emocional-espiritual.

3. Prática Recomendada

Preenchimento do Relatório: Escolha um filme ou documentário que retrate um ambiente hospitalar ou prisional (ex: Patch Adams ou similares). Assista a uma cena de interação com um doente/detento e preencha um Relatório de Visitação da SBC como se você fosse o capelão observador daquela cena, indicando o nível de relacionamento atingido e a sua reflexão pastoral sobre o atendimento.

Bibliografia e Referências

  • I. Fundamentos da Capelania e Teologia Pastoral

    • PAGES, Geraldo. Capelania Hospitalar e Assistência Espiritual. Rio de Janeiro: CPAD. (Obra clássica e de leitura obrigatória para a capelania evangélica no Brasil).

    • NOUWEN, Henri J. M. O Curador Ferido: O Ministério Pastoral na Sociedade Contemporânea. São Paulo: Vozes. (Essencial para compreender a empatia e a vulnerabilidade do capelão).

    • SOUZA, Eleny Vassão de. Capelania Hospitalar: Uma Abordagem Transdisciplinar. São Paulo: Arte Editorial. (Referência nacional em práticas e estruturação de capelania no SUS e redes privadas).

    • STOTT, John. A Cruz de Cristo. São Paulo: Vida Nova. (Traz a base teológica indispensável para compreender o sentido do sofrimento humano à luz da cruz).

    • SPURGEON, Charles H. Conselhos para Obreiros. São Paulo: PES. (Para o desenvolvimento do caráter e da resiliência de quem lida com o sofrimento alheio).

    II. Aconselhamento Pastoral e Escuta Ativa

    • CLINEBELL, Howard. Aconselhamento Pastoral: Modelo de Crescimento e Cura. São Leopoldo: Sinodal. (O principal manual técnico para o desenvolvimento de uma "relação regular de ajuda").

    • COLLINS, Gary R. Aconselhamento Cristão: Edição Século 21. São Paulo: Vida Nova. (Aborda de forma enciclopédica como aconselhar em situações de crise, depressão, luto e traumas).

    • TOURNIER, Paul. A Culpa e a Graça. São Paulo: ABU Editora. (Excelente para o "Nível 3 - Confissão", ajudando o capelão a lidar com o peso da culpa nos pacientes).

    • ROGERS, Carl R. Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins Fontes. (Obra da psicologia secular essencial para o treinamento prático da empatia incondicional e da escuta ativa).

    III. Tanatologia, Luto e Cuidados Paliativos

    • KÜBLER-ROSS, Elisabeth. Sobre a Morte e o Morrer. São Paulo: Martins Fontes. (A base científica global para entender os 5 estágios do luto, leitura indispensável para quem atua em UTIs e cuidados paliativos).

    • LEWIS, C. S. A Anatomia de um Luto. São Paulo: Vida Nova. (O relato pessoal e teológico brilhante de um dos maiores pensadores cristãos sobre o choque da perda).

    • FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido. São Leopoldo: Sinodal / São Paulo: Vozes. (A visão da logoterapia sobre como ajudar o assistido a encontrar significado mesmo no sofrimento extremo e nas prisões).

    • D’ARTHEZ, Maria Júlia. Cuidados Paliativos e Capelania. São Paulo: Paulinas. (Focado na qualidade da assistência nos momentos finais de vida).

    IV. Capelania Prisional e Contextos de Crise

    • BONHOEFFER, Dietrich. Resistência e Submissão: Cartas e Anotações Escritas da Prisão. São Leopoldo: Sinodal. (Relatos e reflexões teológicas nascidas no ambiente carcerário).

    • CARSON, D. A. Até que Ponto? Reflexões sobre o Sofrimento e o Mal. São Paulo: Vida Nova. (Para embasar as respostas do capelão à secular "pergunta de Jó" - por que sofremos?).

    • GRAHAM, Billy. Esperança para os Corações Aflitos. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil. (Uma abordagem pastoral sobre como levar a esperança em meio a tragédias pessoais e coletivas).

    V. Legislação e Manuais Oficiais

    • BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Senado Federal. (Com ênfase no Artigo 5º, inciso VII - Liberdade de Assistência Religiosa).

    • BRASIL. Lei nº 9.982, de 14 de julho de 2000. Dispõe sobre a prestação de assistência religiosa nas entidades hospitalares públicas e privadas, bem como nos estabelecimentos prisionais civis e militares.

    • BRASIL. Lei nº 9.608, de 18 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre o serviço voluntário (A base legal para a atuação não remunerada do capelão).

    • BÍBLIA SAGRADA. Traduções recomendadas para uso no leito: Nova Versão Internacional (NVI) ou Nova Almeida Atualizada (NAA), devido à clareza linguística para leitura com enfermos e detentos.

COMEÇO DE TUDO

TERRA